domingo, 6 de fevereiro de 2011

Cenas que podiam não ser da vida real...

Imaginem que profissionalmente precisam que o vosso superior hierárquico decida sobre uma determinada matéria e então enviam um email com o assunto, fundamentação, and so on... e PEDEM EXPRESSAMENTE INDICAÇÕES SUPERIORES para dar continuidade ao assunto! Na volta recebem uma resposta do género "resolve da forma que souberes e se precisares de ajuda diz..." e pronto...é assim que se governa o país por aí fora....
(p.s.: qualquer semelhança deste episódio com a realidade é a mais pura das puras das coincidências...vou ali desmaiar um bocadinho e volto já!!!)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Resoluções...

Estou decidida a contrariar as forças da minha própria natureza! Ei...tudo tranquilo que se trata apenas de combater determinadas características da minha personalidade que assumo terem a capacidade, de em muitas ocasiões, serem verdadeiro pedregulhos nos meus sapatos - que ainda por cima são, em regra, de salto alto!
Assim, rabugisses à parte, espantando os maus feitios todos que de quando em vez tomam conta de mim, terminei o dia de trabalho com uma hora de massagem relaxante. Eu que pensava que ia dormir e ter sonhos cor de rosa ao toque suave de mãos experientes, afinal passei a hora entre os ais e os uis...parece que tenho tensões e contraturas em tudo o que é centímetro neste ser! Ou seja, há que trabalhar menos e ir mais vezes às massagens para passar da fase dos uis e dos ais para a fase dos hums....
Em todo o caso, estou decidida a ver o Sol mesmo que este esteja escondido atrás de uma nuvem mais escura...e também dei conta hoje que é urgente decidir-me a ficar mais conversadora, rosada, a rir que nem uma perdida...que são tudo sintomas de que bebi chá com grau!!!! I do need a break.....
E pronto, agora que escrevi o que me vai na alma após ter mergulhado o cérebro nos livros - fazendo intervalos e pausas facebokianas indispensáveis à condição salutar deste ser humano - vou dormir que são mais do que horas e já vejo tudo turvo..... Votos de uma boa noite a todos os meus leitores...e pode ser que amanhã cá venha escrever mais qualquer coisinha!

domingo, 30 de janeiro de 2011

Palavras leva-as o vento.....

Hoje estou assim, com o tempo...ventoso, chuvoso e frio. Não há meio de vir o Sol e o calor e os dias longos...daqueles em que o sal da água do mar se mistura com longos sonhos, sonhados em cima da areia dourada. O frio e a chuva aguçam o ser rabugento que há em mim....sim, porque eu até tenho vários espelhos em casa....e há dias em que só um guindaste invisível me tira dos lençóis, dando por mim a desejar ir de pantufas para o trabalho, com o robe vestido e o cabelo esgadelhado. Mas faz lá algum sentido uma pessoa estar quentinha, aconchegada, confortável no meio de uns fantásticos lençóis polares - uma invenção extraordinária, não sei a quem se deve mas o seu nome devia aparecer junto com outros grandes inventores, como o Senhor Thomas Edison ou Johanes Gutenberg - e ter que enfrentar dias que têm tanto de frio em tempo como em outras matérias...?? e longe de mim referir-me a questões de natureza profissional...que um bom profissional diz sempre bem da organização que o acolhe...e eu digo (tenho é dias...mas isso também não interessa nada)...
Estamos em inícios de Fevereiro e ainda me faltam 2 exames ...o que significa a necessidade de recorrer a um tónico, que eu muitas vezes até creio ser mais um mito do que outra coisa, no que se refere aos resultados...uma vez que além de não voar - e devia ser proibido o recurso à publicidade enganosa!!! - ainda dou por mim a adormecer em cima da mesa do escritório... Mas quem foi que se lembrou de criar o mundo do adultos e os empregos e os dias frios sem lareira e as perguntas sem resposta?? Ontem fui brindada com um cheque oferta para uma massagem relaxante - uma espécie de lareira gigante em pleno pólo norte...vou marcar já amanhã que é notório que estou a precisar.... ah...um dia destes volto aqui outra vez!!!

domingo, 2 de janeiro de 2011

E assim chegou 2011!


E para trás ficou um ano difícil, marcado pela adversidade no trabalho e por circunstâncias que afectaram a saúde física e também psicológica dos que mais estimo, e consequentemente, me tornaram mais forte na dificuldade.
Acho que finalmente me tornei adulta! Quer dizer a caminho dos 34 não tarda nada, há muito que devia ter esta consciência, mas na verdade, foi durante 2010 que me apercebi que os sonhos jamais podem deixar de existir, mas que sonhar não pode nunca toldar-nos o pensamento, a ponto de não termos os dois pés bem assentes no chão.
Conheci o que o ser humano tem de menos bom, aprendi a conviver com isso ao invés de me revoltar e aprendi também que não vou abdicar nunca dos valores que me reconheço, sem prejuízo de, obviamente e com todo o interesse e motivação, evoluir e mudar, mas sempre pela positiva, porque dos meus sonhos faz parte contribuir para a existência de um mundo melhor.
Sei que não posso mudar o mundo, sou pequena demais, mas tenho o dever de procurar mudar o meu mundo, o mundo daqueles que comigo partilham momentos da vida profissional e pessoal.
Aprendi a sorrir mais vezes, a agradecer, a partilhar e a ajudar e aprendi que dessa partilha resulta uma riqueza inestimável, traduzida em confiança, lealdade, amizade, reciprocidade e respeito.
Aprendi que devemos dar o nosso tempo a quem tempo tem para nos dar, a dar o nosso sorriso a quem para nós sorri.
Voltar aos bancos da escola e à sala de aulas foi das decisões mais inteligentes que tomei, talvez na última década. Além da riqueza adquirida pela aprendizagem de novos conteúdos, encontrei gente genuína, ganhei amigos, que espero preservar para o resto da vida.
Julgo ainda que em 2010 não deixei nada por dizer, porque disse sempre tudo o que senti e pensei....aprendi a dizer aos meus amigos o quanto gosto deles, aos meus colegas de trabalho o quanto o empenho destes significa para mim. Estabeleci fronteiras, disse várias vezes que não, relembrei o chefe - várias vezes, senão mesmo com a regularidade diária - que ser "subordinada" não significa obediência cega.
Tive que relembrar o dono do galinheiro da casa das origens que já cresci...ainda que não muito em altura, mas seguramente em pensamento e senti medo..medo de não poder sentir pela jovem 5 anos mais nova que eu e que carrega consigo o mesmo nome que o meu.
Virei as páginas de alguns livros, recuperei no fundo do baú a história mais importante da minha vida e comecei 2011 a sorrir.... e desta feita não sorri apenas com os lábios, sorri também com o coração e com a razão, pois tenho a consciência que nas minhas limitações de ser humano, fiz tudo o que estava ao meu alcance fazer para melhorar e ser melhor.
A todos os que contribuíram para que eu crescesse, aprendesse, resistisse...a todos os que me fizeram sorrir sempre que o céu ficou mais escuro e a noite mais fria, o meu obrigada, com votos sinceros de um 2011 muito positivo! E já agora:
Todas as boas coisas precisam de tempo para se desenvolverem. - Lewis Mumford
Os seres humanos podem lidar com quase tudo desde que não estejam isolados. - Edward M. Hallowell

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Desencontros...por fim...

Alice caminhou ainda durante algum tempo para as margens do rio. Partilhava com Miguel conversas maduras. A inteligência de Miguel seduzia-a. Uma vez pediu a Miguel que acreditasse que duas pessoas que conversam assim, como eles conversavam, jamais se podiam ser indiferentes.
Um dia, Miguel responde a uma das tentativas de Alice...de acreditar, de querer...dizendo-lhe "Alice tu és especial demais para mim." Alice nunca chegou a perceber a sinceridade destas palavras, mas em todo o caso confundia-a, baralhava-a. Não fazia sentido que alguém a sentisse especial e não lhe desse a alma, por muito que Alice a procurasse.
Alice sentia a falta de dele...da sua alma, presente além do corpo e das palavras. Miguel acalentava o sonho de um príncipe de um conto de fadas, querendo encontrar aquela que lhe roubasse o sono, que lhe provocasse a ansiedade de querer estar perto, que fosse dona e senhora dos seus beijos...que o fizesse correr o mundo, como quem procura um sentido!
Alice gostava demasiado, queria de tal forma a felicidade de Miguel como queria a sua própria felicidade e alegria. Alice queria que Miguel sentisse o coração a sair do peito, a necessidade de olhar constantemente para o ecrã do telemóvel à procura de notícias...
Alice afastou-se, não por deixar de pensar em Miguel, não por deixar de querer notícias, não por raiva nem revolta e muito menos por desprezo.
Alice acreditava que a maneira mais honesta e transparente de amar Miguel era deixar de visitar as margens daquele rio, abdicar das conversas, dos sorrisos...das esperanças e permitir que, na roda da vida, Miguel encontrasse a sua alma gémea e fosse muito feliz!
Agora, aquele envelope, sem remetente fazia-lhe lembrar Miguel. "And something so small bust be going so great! And yes there is so much space to growth". Alice chorava de aflição...não entendia, mas assim ficou, sem conseguir entender!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Desencontros IV

Numa das ocasiões em que bebiam um licor junto ao rio, agasalhados por uma manta gentilmente cedida pelo empregado do bar da esplanada onde se encontravam, Miguel confessou a Alice que se sentia preso, talvez a ela, mas sobretudo a alguém com quem havia mantido, ou manteria, uma relação de uma amizade intima. Miguel confessava com toda a verdade que Alice lhe conhecia na alma que não sabia o que fazer. Queria libertar-se daquela relação, que vinha já dos tempos da faculdade, e que tantas vezes servia somente como um escape...ou o escape, pois estava sempre lá para Miguel, fosse dia, fosse noite, pedindo, não querendo...Miguel sabia que era amado, mas não amava. Deixava-se amar. Mas sentia-se por vezes até constrangido por deixar que tal acontecesse, assumindo uma espécie de fraqueza em se fazer impor...ou talvez somente a fraqueza de quem tem receio de deixar um porto seguro, cujas paragens conhece e que sabe que o abriga em qualquer tempestade.
As palavras de Miguel deixaram Alice num estado de alma de grande tormento, contudo, procurando manter a calma e com um respeito profundo, e talvez até admiração, pela honestidade de Miguel, Alice separou o pensamento da alma, a razão do sentimento. Alice deixou de defender o que para si queria.
- Miguel - disse Alice - se gostas dessa tua amiga tens a obrigação de fazer dela a mulher mais feliz do mundo. Contudo, se não a amas, se não a sentes como a luz dos teus olhos e o brilho do teu ser, tens igualmente a obrigação de lho fazer entender. Podes até iludir-te a ti mesmo e deixá-la iludir-se durante algum tempo, talvez até durante bastante tempo, mas chegará na mesma o momento em que a farás sofrer. É uma questão de antecipares as lágrimas a bem da felicidade dos dois. Se a queres agarra-a com convicção, se não a sentes...mostra-lhe o caminho, com coragem e o carinho de quem estima alguém, sendo que estimar e amar são conceitos e sentimentos diferentes.
Miguel queria encontrar uma princesa, rara, especial, diferente de todas as outras, pelo menos aos seus olhos, e Alice sabia que a princesa não se encontrava na história que Miguel lhe havia contado...mas também sabia que o vestido dos contos de fadas não estava guardado para si.
No regresso a casa, Alice sentia-se esvaziada. Tinha dito algumas das palavras mais difíceis da sua experiência de vida. Era como se por instantes, longos instantes, tivesse dividido o seu corpo em duas partes, uma das quais abdicava de quem gostava para que a outra pudesse dizer o que sentia ser correcto dizer. E Alice chorou, chorou muito, em silêncio, na companhia da almofada noite dentro.
(continua)